Opinião

As passas de mais um outono igual a outros (Opinião)

Fernando Santos Marques. “A Feira de Santa Iria (…) já não é o que era.”

Chega o outono e mais uma vez a nostalgia. Dizem-me que a meio caminho do inverno do nosso descontentamento. Não serei tão pessimista. Mas começo a sentir alguma monotonia na queda das folhas castanhas.

A Feira de Santa Iria, outrora ponto de encontro da população de uma região maior do que o concelho de Tomar e entreposto comercial que nos preparava para mais um inverno rigoroso (geralmente frio e chuvoso), já não é o que era.

Com o advento do consumo, vincado pelas grandes superfícies comerciais e um rápido acesso a outlets e lojas de conveniência, os comerciantes ambulantes parecem ser os últimos a defender a Feira das Passas nos moldes tradicionais. E a Rádio Cidade de Tomar. Mas esta última por outros motivos…

É verdade que as festividades em honra da (nossa) Santa Iria cresceram. Mas ainda não chega para ultrapassar uma certa mediania e colmatar uma notória decadência da feira de outono. Urge promover um “refresh” à feira. Tenhamos engenho e arte para tal.

Aumentar o fluxo de forasteiros na cidade constitui condição de sobrevivência económica da atividade turística e de outras que vão sobrevivendo do vigor desta. Por isso, amostras, festivais, feiras e romarias serão sempre bem-vindas. Haja empenho, dedicação e, porque cada vez mais indispensável, planeamento e profissionalismo.

Em verdade, em Tomar nunca faltam iniciativas. Elas vibram que nem papoilas saltitantes (onde é que já ouvi isto?…) e dão vida a um concelho que desta forma tenta combater o marasmo a que geralmente é votado pelos políticos.

Numa época em que multiplicam crises e problemas (económicos, sociais, laborais, etc) é no desabrochar de iniciativas culturais e desportivas, assentes no rico associativismo local e em que muitos buscam razão para a sua vivência, que poderemos sonhar com um concelho mais próspero.

Deixo-vos dois exemplos de empreendedorismo associativo:

– A limpeza do Aqueduto do Convento de Cristo, organizado por um Grupo de Amigos do mesmo;

– O “Mercado da República”, lançado pelos Ranchos Folclóricos de Tomar.

Ambas as iniciativas vêm provar que por aqui são os tomarenses quem mais ordenam e são dignas de merecer o nosso carinho.

Ao poder espera-se simplesmente que não inviabilize estas, como outras, iniciativas da sociedade civil e já agora seria pedir muito se, no caso do “Mercado da República”, ajudassem na sua consolidação, garantindo-lhe uma maior periodicidade  (mensal ou 4 vezes por ano)?…

Perto do final não poderia deixar de expressar os meus parabéns à Tomar TV pelos dois anos de fértil atividade. Embora jovem, o projeto está pleno de vitalidade e paixão. Tal como os jovens que lhe dão corpo. Aproveito ainda para deixar um duplo agradecimento a Flávio Nunes enquanto seu Diretor Geral; um agradecimento pelo trabalho desenvolvido em favor de Tomar e seu concelho e, “last but not least”, pelo convite que me foi formulado para colunista neste espaço.

Fernando Santos Marques
Colunista da Tomar TV

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