Opinião

Morte anunciada (Opinião)

Fernando Santos Marques. “Este processo de morte lenta vai-nos consumindo a existência. É que o pior desta vida é estarmos vivos. É isto que verdadeiramente nos mata!”

Contrariamente ao que possam pensar pelo título, não vos venho falar de ataques terroristas. Nem de política. Seja do governo, do parlamento ou mesmo da autarquia.

Há coisas muito mais importantes. Acho…

Um último alerta da comunidade científica internacional salienta que a carne vermelha, processada ou fumada, faz mal. Dizem que aumenta os riscos de cancro. E a este aviso junta-se a centenas de outros. Todos muito respeitados. Baseados em estudos que têm vindo a ser ampliados pela comunicação social e que vão tornando a nossa existência uma tenebrosa corrida de obstáculos.

É que já temos uma infinidade de outras preocupações. A carne de aves, a carne de coelho,… também já não são alternativas. Não deveriam ter hormonas de crescimento, antibióticos ou outros fármacos. O peixe também já é o que era. E até o marisco já nos chega semi-envenenado.

Também a farinha branca, que constitui uma das bases da nossa alimentação (pão, massas, bolos), faz mal ao pâncreas, ao intestino e altera a insulina. Aliás, segundo os nutricionistas deveríamos preferir os cereais integrais pois os cereais brancos passam por um processo de refinação no qual lhes é removido o farelo e o gérmen, perdendo quase todo o valor nutritivo.

O leite, outro alimento basilar, também deixou de ser aconselhável. Pois nós, ao contrário de outros mamíferos, afinal não temos as enzimas necessárias à sua digestão (salvam-se as vacas!…). Devido a isto temos assistido a um aumento significativo da intolerância à lactose. E mesmo o queijo, faz mal. Ao fígado! Para além de ter (geralmente) elevados índices de gordura e de nos fazer perder a memória.

O sal, que tende a robustecer a alimentação tradicional portuguesa, é uma bomba para o coração. Quanto menos, melhor!

A margarina é outro “veneno”, pois geralmente contem muitos radicais livres, emulsionantes e conservantes, para além de matérias gordas que atacam o coração, os ossos e contribui para o cancro, enfermidades cutâneas e infertilidade.

Mesmo os óleos vegetais, como o nosso azeite, base da dieta mediterrânea, apresentam algumas contraindicações não devendo ser levados ao lume (cozinhados).

O consumo excessivo de açúcar tem contribuído para um crescimento anormal de diabetes. Devemos portanto evitar bolos mas também os refrigerantes, tipo sumos açucarados, colas, gasosas, etc. A cerveja, também não é muito aconselhável. Por outro lado as bebidas quentes, mesmo sem açúcar, fazem mal aos dentes. E mesmo no que toca à água, as recomendações apontam para um consumo de água da rede pública, com proveniência conhecida e devidamente tratada.

Também os alimentos que compramos nas grandes superfícies, não são recomendáveis. Embora apresentem (geralmente) um maior controle de qualidade, não devem estar embalados e/ou pré-conservados pois serão mais cancerígenos. Também os enlatados, como os tomates, têm BPA que é um químico tóxico que se encontra associado a anormalidades reprodutivas.

De igual forma já sabemos que devemos evitar toda e qualquer comida rápida, pois é rica em gorduras, açucares e sódio. Tal como devemos evitar os fritos, cozinhados em óleos saturados. E as pizzas… Mas se não resistir à tentação faça como eu, prefira as pizzas mais delgadas. Mal por mal…

Até nas saladas recomendações não faltam. Os produtos têm de ser bem lavados por causa da toxoplasmose. Idem para as frutas. Devendo ser preferidos os frutos biológicas que têm menos pesticidas. E tal como a maioria dos produtos do mundo rural, é preferível que sejam cultivados de acordo com as leis da natureza e de forma sustentável. Podem ser mais caros mas a economia local irá agradecer-nos.

E mesmo os vegan não têm a vida facilitada. Por exemplo a soja transgénica (ou geneticamente modificada) que corresponde a mais de 90% de toda a que existe no mercado, representa um risco à saúde pois o processo de modificação genética que está na sua base apresenta consequências imprevistas pela inserção de novos genes que tem levado ao aparecimento de características inesperadas como proteínas alergénicas ou toxinas, estando na base do aumento das alergias. Isto para além dos problemas ambientais associados à sua produção.

Em suma, este processo de morte lenta vai-nos consumindo a existência e fazem-nos pensar se terá mesmo valido a pena termos abandonado as cavernas. É que o pior desta vida é estarmos vivos. É isto que verdadeiramente nos mata!

No entanto há algumas boas notícias. David Sinclair, geneticista de Harvard, considerou recentemente que o segredo está nas uvas: Estas podem aumentar a longevidade das pessoas. A notícia terá deixado radiantes os milhões de portugueses consumidores de vinho, que deixam de estar preocupados com a erosão ácida que danifica a superfície e esmalte dos dentes. Se é que estavam… É que este cientista garante que está a caminho de fechar uma fórmula mágica, baseada nas uvas, capaz de travar o envelhecimento e levar-nos até aos 140 anos. Mais coisa menos coisa. E isso sem rugas e com energia para os jovens seculares brincarem com os bisnetos. E dizem os mais malandros, para brincar também com as bisavós!…

Fernando Santos Marques
Colunista da Tomar TV

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