Opinião

Resoluções de Ano Novo (Opinião)

Fernando Santos Marques. “Primeira badalada, primeiro mês do ano, primeira passa, primeiro desejo.

Dizem que o NATAL é quando o homem quiser. Como o Ano Novo é uma semana depois, devemos estar ainda no tempo certo para tomar as habituais resoluções que irão nortear a nossa vida futura. De uma vez por todas …ou pelo menos até à próxima série de desejos patéticos de Ano Novo. Como os da presente quadra. Desejos e Votos assumidos com um flute de champagne Perrier Jouet entre os dedos.

Primeira badalada, primeiro mês do ano, primeira passa, primeiro desejo – Saúde! Dinheiro! Amor! Trabalho! Amizade! Paz no mundo! Blah-blah. O Sporting campeão! … E os votos mais costumeiros ficam já todos despachados. Em pacote. Para 2016 não ser uma sensaboria.

Segunda badalada, segundo desejo – Planear, mesmo sem recorrer ao “morning scalping sessions”, que tão na moda está, por forma a estabelecer bem as prioridades para 2016 e como forma de organizar o quotidiano. Afinal a definição de uma estratégia para alcançar metas precisas, embora até possam parecer inalcançáveis, revela-se imprescindível nos dias que correm.

3ª passa – Deixar de lado o deslumbramento. Passar a acordar mais cedo para ter mais tempo para fazer o que verdadeiramente importa. Paralelamente, disciplinar horários, nomeadamente os da saída do trabalho. A vida familiar irá agradecer. Aproveitar para poupar algum dinheiro (e poder usufruir do regresso dos feriados). E já agora, entrar na era do “do it yourself” quebrando a mania da massificação imposta pelas grandes marcas.

4º desejo – Que o terrorismo não nos derrote. Nem que Portugal entre em guerra activa contra o Estado Islâmico … por muito apetecível que seja ao ISIS retomar a Península Ibérica, sobretudo esta ocidental praia, outrora Lusitânia. Aliás, era bom que o terrorismo internacional, não viesse a constituir a principal ameaça a nível global, agravando a crise dos “refugiados” (palavra que foi eleita como a palavra do ano em Portugal, em 2015), e os problemas de crescimento da economia mundial. Neste ponto, será que a União Europeia irá continuar indecisa entre solidariedade e nacionalismo?

5ª badalada – Que o Euro-milhões, a Lotaria, o Totoloto e outros jogos de sorte e azar nos facultem todo o dinheiro suficiente para rechear a carteira e ajudar a pagar os impostos que iremos arcar em 2016, em razão dos buracos que temos e dos outros que ainda advirão. E já agora que Mário Centeno – que muitos consideram o elo mais fraco do novo governo do país -, não se deixe enrolar por orçamentos rectificativos… e ajude o Costa (não o Primeiro, mas o segundo, o Carlos, do Banco de Portugal) na venda no Novo Banco. Mas desconfio que seriam precisos prémios bem chorudos para aumentar a nossa qualidade de vida de forma visível…

6º desejo – Mudar a alimentação. Comer melhor e mais saudável. Parar com as bombas calóricas e (sobretudo) o chocolate. Sobretudo sempre que o rádio põe no ar Adele a sussurrar “Hello”… Mas não desanimemos; se o Japão acaba de pagar 7,6 milhões de dólares de indemnização a Seoul, pedindo desculpas públicas por crimes cometidos há 70 anos, ainda podemos ter fé em sermos indemnizados este século…

7ª passa – Porque a fronteira entre uma proposta de teor sexual e um galanteio e/ou elogio é por vezes muito suave, vou deixar de lançar piropos às garinas que cruzam por mim na Avenida (ou na Corredoura), mesmo que sejam uma cópia chapada de Victoria Guerra. Afinal e com a recém-aprovada alteração ao artigo 170º do Código Penal, “importunação sexual”, passam a ter pena de multa até 120 dias ou pena de prisão de 1 (que poderá ser agravada até 3 anos quando sejam dirigidos a menores de 14 anos) os vulgares “piropos”. Tudo a bem da prevenção e combate à violência contra as mulheres e à violência doméstica. Afinal, ainda não será em 2016 que uma mulher chegará ao Palácio de Belém…

8ª badalada – Fazer exercício. Praticar mais desporto. Mesmo que a motivação escasseie e as desculpas para adiar proliferem. Aproveitar e levar a Banca portuguesa aos treinos, para fazer uns exercícios de musculação pois, se atendermos aos casos noticiados (BPN, BES/Novo Banco, Banif, Montepio ???) apesar de não precisar de emagrecer, anda muito flácida, o que tende a acartar custos acrescidos aos contribuintes lusos.

9º desejo – Que 2016 não seja tão agitado, politicamente falando, como o ano que findou. Mas com a consumação de novo capítulo na oligarquia política portuguesa, após a eleição do novo Presidente, haverão apostas sobre quando é que Catarina Martins integrará o executivo (ou como alguém chamou, a “geringonça”) de António Costa. Ou quando é que o CDS-PP sem o “irrevogável” Paulo Portas consumirá o divórcio com o PPD/PSD de Pedro Passos Coelho. Ou ainda, se o declínio da Europa – que muitos associam ao declínio dos partidos socialistas e sociais-democratas – irá sobreviver ao novo ultimato inglês.

10ª passa – Limpar a tralha que se vai acumulando em casa. “Arrume a sua casa, Arrume a sua vida”, que é também o título de um livro de Marie Kondo. Ver menos televisão e ler mais. Encontrar espaço – físico e temporal – para a leitura. Nomeadamente do sueco Karl Ove Knausgård, do qual “A Morte do Pai” permanece há meses sobre a mesa de cabeceira. Na mesma onda, prometer dar mais espaço ao associativismo. Ou à cultura. Por exemplo, ao Teatro.

11ª badalada – Realizar algo novo todos os meses. Experimentar um novo hobbie. Ou um desporto, mesmo que não seja radical. Ou um prato culinário. Ou ir a um restaurante novo, mesmo sem estrelas Michelin. Ou visitar uma cidade nova, ou uma praia. Afinal são vários os estudos que salientam a necessidade de mudar como antecâmara à felicidade (ou tão só, combate ao stress).

12º e último desejo – Que Tomar e os tomarenses ousem perspectivar um qualquer futuro e consigam sair do túnel negro e bolorento onde se encontram. Afinal, merecemos muito mais do que aquilo que a sorte nos tem trazido, e que tem levado muitos a (e)migrarem para outras paragens, cada vez mais longínquas.

Votos de um Próspero 2016. E já agora um último conselho: esqueçam isso de tudo mudar, basta apenas o que está menos bem!

Fernando Santos Marques
Colunista da Tomar TV

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