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Última Hora. Rui Serrano: “Renuncio aos pelouros que me foram atribuídos”

O vereador socialista Rui Serrano entregou novamente os pelouros que detinha no executivo da autarquia tomarense. Mantém-se até ao final do mandato, garante.

Rui Serrano, vereador da Câmara Municipal de Tomar, renunciou esta terça-feira a todos os pelouros que ainda detinha na autarquia. Em carta aberta endereçada aos tomarenses, o autarca do Partido Socialista (PS) assume já não se identificar no executivo que gere o concelho de Tomar e garante também não reconhecer credibilidade nem confiança na atual “liderança política”.

Sai, mas, apesar de tudo, não renuncia ao mandato: “Não havendo confiança política no quadro deste executivo para desenvolver e cumprir os objetivos a que me propus, por respeito a quem me elegeu e por respeito ao voto de confiança que me foi concedido pelos cidadãos do concelho de Tomar para que os representasse, renuncio aos pelouros que me foram atribuídos mas, uma vez eleito, vou assumir essa responsabilidade até ao final do mandato”, escreve Rui Serrano.

O vereador conclui, dizendo que “não havendo da minha parte confiança nesta liderança política, à qual não reconheço credibilidade para liderar os destinos do nosso concelho, nada mais me é possível fazer, porque acredito no valor das coisas e não no tempo que elas duram.”

Esta é já a segunda vez este ano que Rui Serrano devolve os pelouros que lhe foram atribuídos. Em janeiro, fê-lo quando a presidente Anabela Freitas o substituiu por Hugo Cristóvão na vice-presidência do município, mas não se afastou por completo: ficou com algumas das pastas após Luís Ferreira abandonar o cargo de chefe de gabinete da presidente. Já esta terça-feira, Serrano recuperou algumas das críticas da altura, referindo-se a Luís Ferreira como alguém que “ultrapassava as suas obrigações e responsabilidades enquanto chefe de gabinete”.

Agora, Serrano é peremptório. “A estratégia de liderança que era minha expectativa e condição de regresso não se revelou e não existe. A forma de atuação e coerência que procurei imprimir e assumir enquanto vereador desta coligação não encontraram espaço e reincidiu-se no constante pôr em causa das responsabilidades que vinha assumindo sempre no interesse dos tomarenses e do nosso concelho, nestes últimos meses enquanto vereador desta coligação”, explica.


Leia aqui a carta completa:

“Este, claramente, não é o meu executivo.

Caros Tomarenses.

Ao longo destes intensos três anos de mandato autárquico, nos quais me comprometi com Tomar e com os Tomarenses, surgiram naturais divergências internas que não me surpreenderam, dada a minha experiência e prática política exercida com iguais competências, entre 2009 e 2013, como Vice-Presidente do Município de Abrantes. Entendi que essas divergências faziam parte de um processo de inédita coligação entre o PS e a CDU e que, acima de tudo, com o empenho de todos, se procurava a estabilidade de governação, assim correspondendo à expectativa dos Tomarenses que acreditaram neste executivo para se fazer a mudança.

Os diversos casos, temas e assuntos, que no âmbito das minhas competências foram inúmeras vezes ultrapassados e colocados em causa, não só por quem liderava o Município, mas claramente também por quem ultrapassava as suas obrigações e responsabilidades enquanto chefe de gabinete, levou a que a situação se agudizasse, culminando em desacordos que se tornaram incontornáveis e insuportáveis, do ponto dos princípios e da forma de exercer o poder autárquico. Por essa razão, ainda que tardiamente, em Janeiro de 2016, entreguei os pelouros que me tinham sido atribuídos (Gabinete de Desenvolvimento Económico, Planeamento, Urbanismo, Regeneração Urbana, Obras Municipais e Licenciamento).

Encontrada internamente a solução política de estabilidade e credibilidade para este executivo, que se traduziu na saída do chefe de gabinete, acreditei que era possível recuperar a confiança dos que nos elegerem e que seria viável traçar o caminho que correspondesse ao meu compromisso e responsabilidades assumidas.

Infelizmente constatei que a reatribuição dessas competências e responsabilidades, no género e na forma, e que me propus cumprir até ao final deste mandato, não assentavam numa agenda comum. A estratégia de liderança que era minha expectativa e condição de regresso não se revelou e não existe. A forma de atuação e coerência que procurei imprimir e assumir enquanto vereador desta coligação não encontraram espaço e reincidiu-se no constante pôr em causa das responsabilidades que vinha assumindo sempre no interesse dos Tomarenses e do nosso concelho, nestes últimos meses enquanto vereador desta coligação.

Não havendo da minha parte confiança nesta liderança política, à qual não reconheço credibilidade para liderar os destinos do nosso concelho, nada mais me é possível fazer, porque acredito no valor das coisas e não no tempo que elas duram.

Desta forma, e não havendo confiança política no quadro deste executivo para desenvolver e cumprir os objetivos a que me propus, por respeito a quem me elegeu e por respeito ao voto de confiança que me foi concedido pelos cidadãos do concelho de Tomar para que os representasse, renuncio aos pelouros que me foram atribuídos mas, uma vez eleito, vou assumir essa responsabilidade até ao final do mandato.

Rui Serrano
Vereador do Município de Tomar”

Tomar TV
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Redação da Tomar TV.
http://www.tomartv.com

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