Sociedade

Celuloses a montante de Abrantes responsáveis pela espuma no rio Tejo

Agência Portuguesa do Ambiente encontrou fibras celulósicas 5.000 vezes superiores ao normal e atribui responsabilidade às celuloses a montante de Abrantes, segundo a RTP.

Está descoberta a causa da espuma que se concentrou no rio Tejo na semana passada: de acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), tratar-se-ão de descargas alegadamente realizadas pelas indústrias de celulose a montante do concelho de Abrantes. A notícia foi avançada esta quarta-feira pela RTP.

A APA esteve a fazer análises a essa espuma e também à água do Tejo, à procura de indícios de poluição — e, segundo a RTP, os resultados “são claros”. A agência encontrou concentrações de fibras celulósicas 5.000 vezes superiores às verificadas em análises anteriores, feitas de dois em dois dias desde o passado mês de novembro de 2017. Desta forma, a entidade atribui responsabilidades à indústria da celulose.

De acordo com o canal público, no passado dia 24 foram recolhidas amostras de espuma e de água do rio Tejo e a APA concluiu que a espuma foi causada por uma grande concentração de matéria orgânica, uma vez que, no que toca às águas residuais urbanas ou ao setor pecuário, não foram encontrados índices elevados de poluição zona.

Camiões removeram manto de espuma na semana passada

Tem sido um dos temas principais das últimas semanas na região. A poluição do rio Tejo foi notícia nos principais órgãos de comunicação social nacionais devido a uma série de denúncias — muitas delas feitas em vídeo por Arlindo Marques — que mostram o estado em que o rio Tejo se encontrava. Episódios que o próprio garantiu, em entrevista à SIC Notícias, não serem de agora.

Um manto de espuma, com mais de meio metro de altura, formou-se em várias zonas do rio ao longo da região do Médio Tejo. No entanto, a situação mais evidente aconteceu junto ao açude de Abrantes. Este manto de espuma amarelada e espessa formou-se depois da água passar pelo açude, junto à albufeira do concelho.

No dia 26 de janeiro, numa conferência de imprensa em Abrantes, João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente, garantiu resposta ao problema. O governante anunciou que foram mobilizados seis camiões para proceder à remoção da espuma e à limpeza dos resíduos.

Na altura, o ministro disse que “o fenómeno da poluição” seria “resultado da libertação da matéria orgânica depositada sob a forma de sedimentos no fundo das albufeiras do Fratel e de Belver, provocada por anos de funcionamento das indústrias aí localizadas e da reduzida precipitação do último ano, que não diluiu essa carga orgânica”.

Como tal, o Governo ordenou à Celtejo (empresa de celulose que opera no concelho de Vila Velha de Ródão) uma redução em 50% do volume de descargas, obrigando à paragem da atividade durante dez dias. O ministro garantiu também, no entanto, que poderá vir a ser necessário que a atividade da empresa seja suspensa temporariamente caso o problema se arraste.

De notar que a APA, na conferência de imprensa desta quarta-feira, não atirou culpas à Celtejo. Terá referido, sim, que se tratou de matéria orgânica descarregada para o rio pelas “celuloses a montante de Abrantes”

Imagem por Wikimedia Commons. Artigo atualizado para clarificar o título da notícia.

Tomar TV
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